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Estatísticas de acidentes domésticos
com crianças e formas de prevenção.

No Brasil, a primeira causa de morte de crianças a partir dos 5 anos de idade são acidentes que poderiam ser evitados com um pouco mais de precaução. Segundo a última pesquisa em grande escala sobre o assunto, realizada pelo Ministério da Saúde em 1997, batidas de carro, afogamentos, quedas, queimaduras e intoxicações mataram 5.843 meninos e meninas de até 14 anos. Qual a explicação para estatística tão assustadora? Segundo pediatras e especialistas da área de segurança infantil, a desatenção dos adultos e o menosprezo por riscos corriqueiros são, de fato, os grandes culpados pela maioria dos acidentes que vitimam crianças. Desatenção, nesse caso, não é absolutamente sinônimo de falta de amor. O problema é que bastam alguns segundos de distração para que os acidentes aconteçam, porém, as pessoas tendem a achar que nunca acontecerão com elas próprias.

Uma mãe dificilmente vai tomar a drástica atitude de não levar seu filho à piscina do prédio, onde todos os seus amiguinhos se divertem, embora seja lá que se instale o perigo. Depois de acidentes no trânsito, afogamentos são a segunda causa de morte não natural entre crianças brasileiras. Eles vitimaram 1.841 meninos e meninas em 1997, contabiliza o Ministério da Saúde. Na cidade de São Paulo, e demais cidades não litorâneas, os acidentes em piscinas representam a quase totalidade dos casos de afogamento. Mas, por mais arrepiante que isso soe, nem sempre se afogar tem a ver com não saber nadar. Com base em um levantamento elaborado pelo comitê de prevenção de acidentes, a Academia Americana de Pediatria concluiu que, antes do 4 anos, crianças podem até aprender a nadar, mas não têm controle motor para boiar ou dar grandes braçadas numa situação de emergência. Diante disso, colocá-las ainda pequenas em escolinhas de natação pode, em vez de reforçar sua segurança, prejudicá-las. Primeiro porque ao perder o medo da água, as crianças se sentem mais encorajadas a se aventurar nela sem supervisão. Depois, porque os próprios adultos, acreditando que os filhos já estão familiarizados com a piscina, passam a ter uma falsa sensação de segurança. Esses acidentes acontecem num piscar de olhos e seu desfecho também. Segundo pediatras do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP, para que a morte cerebral ocorra não são necessários mais do que quatro minutos submerso.

Quedas (de escadas desprotegidas, janelas sem redes de proteção e até de camas inapropriadas), em 1997, causaram a morte de 339 crianças, sobretudo na faixa que vai de 4 a 7 anos de idade, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde. Os números poderiam ser bem menores se os adultos tivessem levado o risco a sério. Nenhum pai desconhece que os pequenos não podem brincar em lugares altos e que bebês devem dormir em camas ou berços seguros. De janeiro a março, no entanto, só o Hospital Souza Aguiar, o principal centro de atendimento de emergência do Rio, recebeu 38 crianças que despencaram de alturas e 68 que caíram da cama. No Hospital Albert Einstein, de São Paulo, as quedas representam mais da metade dos atendimentos no setor de pediatria.
Crianças, além de não ter noção do perigo, são invariavelmente curiosas. Quando se trata de acidentes dentro de casa os especialistas concordam: a única maneira de evitá-los é exercitando a vigilância constante e adaptando a casa a eles.

Veja abaixo onde mora o perigo. Considerando-se apenas fatores externos (exclui-se morte natural), as maiores causas de acidentes fatais com crianças no Brasil são, pela ordem:

Fonte: Ministério da Saúde – dados de 1997

Algumas providências simples ajudam a evitar os acidentes do dia-a-dia, o maior fator de risco na infância:
Batidas e atropelamentos: crianças com menos de 10 anos ou 1,40 metro de altura devem ficar no banco de trás do carro. Nos passeios a pé, nunca deixe o carrinho de bebê fora da calçada.
Afogamentos: ocorrem em piscinas, mares, rios e também em banheiras, baldes e vasos sanitários. Podem ser evitados com equipamentos como lacres nos vasos sanitários e redes de proteção nas piscinas.
Quedas: instalar redes de proteção nas janelas, varandas e escadas. Deixar móveis que servem de trampolim longe das áreas de risco. Nos quartos, beliches, só se possuirem redes cercando-os e para maiores de 4 anos. Na cozinha, portas fechadas ou portões removíveis que impeçam a entrada de crianças.
Queimaduras: tomadas devem ser encapadas ou a 1,40 metro do chão. Panelas no fogo devem ficar com o cabo virado para dentro.
Intoxicações: atingem com mais frequência crianças entre 1 e 5 anos de idade. Lacrar armários e geladeiras. Manter determinados produtos fora do alcance das crianças.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

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